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240719 – O QUE EU FAÇO DO LATIM (QUANDO SUMIU DA ESCOLA)?

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(Arte Digital: Marco Agÿar)             No Grego antigo temos a palavra « λαός » ( laós , “ o comum, o povo ”), desta « λαϊκός » ( laïkós ,  “do povo ”) e chegamos ao latim « lāicus » (“ leigo; não consagrado, não santificado ”). A partir do século XII surge o termo francês « laïque » com o significado de não pertencer ao clero. No século XIV como “ não educado, não doutrinado, não profissional e não clerical ”. Nesse caso já existe a variação no galego-português « leigo ». Então surge o movimento de  Estado Secular  ou  Estado Laico . As ideias de um Estado Laico surgem na  Revolução Francesa  onde a  Igreja  deveria se separar do  Estado  no que tange política e governo.  Laico   não significa que seja ateu (não crê em Deus) ou agnóstico (negar ou ignorar conceitos religiosos), embora aceite estes e outras religiões, seitas ou manifestações filosóficas.    ...

240709 – DICIONÁRIO É O «PAI DOS ESPERTOS» E NÃO «DOS BURROS».

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                Há uma denominação curiosa sobre o dicionário ser alcunhado de « Pai dos Burros » quando deveria ser chamado « Pai dos Espertos » porque burro é quem não consulta o dicionário e expõe a falta de conhecimento da língua. O primeiro dicionário pode ter surgido na Mesopotâmia por volta de 2.600 a.C. Os gregos já tinham os seus «lexicons» e assim ao longo da História foram surgindo dicionários de uma mesma língua ou utilizados para tradução. Por exemplo o «  Vocabvlario da Lingoa de Iapam  ou  Vocabulário da Língua do Japão » ( 日葡辞書  Nippo Jisho ) de 1603, é um dicionário de japonês-português, o primeiro a traduzir o japonês para uma língua ocidental. Este dicionário foi organizado pelo missionário e linguista jesuíta português  João Rodrigues «Tsuzu»  (1558-1634) natural de  Sernancelhe  (terra do meu pai). Também escreveu gramática japonesa e outros livros. O primei...

240626 - A ORDEM DOS CONSTITUINTES E CURIOSIDADES DOS IDIOMAS

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                Uma das coisas que aprendi ainda com meus familiares, diga-se de passagem, que não tinham uma educação formal, porém com vasta sabedoria, era sempre aprender além dos professores e além dos livros. Na minha segunda graduação (formação) deparo com o desafio da ordem das palavras em uma determinada frase. Resolvo investigar na fonte e chego ao professor de Linguística dos Estados Unidos,  Matthew S. Dryer . Professor da  New York University at Buffalo . Ele trabalha com tipologia, sintaxe e documentação linguística. Ele é um dos editores do  Atlas Mundial de Estruturas Linguísticas . Suas pesquisas (investigações) sobre correlações de ordem de palavras, que tem sido amplamente citada. Analisadas várias definições de marcação conforme elas podem ser aplicadas à ordem das palavras.               Quando estudei línguas notei uma...

240622 - DÍGRAFOS: ORIGENS DOS DÍGRAFOS COM «H»

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  Ilustração: Dado de 12 faces - Marco Agÿar               Segundo o linguista suíço Ferdinand de Saussure (1857- 1913), fonema é a soma das impressões acústicas e dos movimentos articulatórios da unidade ouvida e da falada, das quais uma condiciona a outra. Em uma simplificação é som gerado quando falamos/ouvimos dois ou mais grafemas com um único som. Esta é a característica dos dígrafos. Um dígrafo (também chamado de digrama) é um par de caracteres usados na ortografia de uma linguagem, escritas como um único fonema (som distinto) ou uma sequência de fonemas que não corresponde aos valores normais dos dois caracteres combinados. Do grego antigo « δίς » ( dís , " duplo ") e « γράφω » ( gráphō , " escrever "). Nesta postagem eu não falarei de todos eles, mas destacarei os que acompanham a letra «H». Nos anos 1970, quando ainda estava nos bancos escolares da Escola Municipal Deodoro (ainda no Estado da Guanabara que m...

240620 – BRASIL OU BRAZIL? ENTENDA EXÔNIMOS E ENDÔNIMOS.

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Ilustração Marco Agÿar em Adobe Photoshop               Este é o primeiro artigo deste novo blog e começo com uma reflexão. Quando temos um fato (facto em Portugal) ele é classificado como uma verdade absoluta e incontestável. Aliás contra fatos ou factos não há argumentos. Se colocarmos a mão na chama de uma vela iremos nos queimar. Nunca soubemos de casos onde o fogo congelasse. Evidentemente que temos a opinião. Toda opinião é uma verdade relativa. Ela pode ser aceita ou rejeitada. No entanto a opinião é fundamental para o debate e não um combate ou embate. Quando a maioria tem a mesma opinião temos o consenso e o senso comum, ainda que continue sendo uma verdade relativa.                Por este prisma chegamos a opiniões sobre a forma como o nome do país Brasil é escrita. Há a questão de que o  Brasil  é com « S » e não com « Z ». Isso ser...